Home Data de criação : 08/04/21 Última atualização : 11/10/17 14:14 / 4 Artigos publicados

HISTÓRIA DA BANDA  escrito em segunda 21 abril 2008 13:15

História da Legião Urbana

No início da história da banda Legião Urbana, bem no começo, estava o punk. Como nenhum começo é absoluto (o que existia antes do começo?), o punk era um princípio, digamos assim, arbitrário. Outros começos poderiam ser válidos: não seria absurdo citar as "Sun Sessions" de Elvis ou os gritos de "Love Me" dos Beatles como pontos de partida "alternativos". Mas foi o do-it-yourself, que está na base estética/política do punk, que motivou o aparecimento de um "movimento" de rock em Brasília no final dos anos 70, do qual saiu o banda Legião Urbana.

Ser punk em Brasília não era exatamente um ato de rebeldia. Impossível ser apenas rebelde quando se conhece, de cor e salteado (como os punks brasileiros conheciam), a história dos Sex Pistols. A rebeldia já tinha sido desmistificada como mais uma estratégia de marketing necessária para o bom funcionamento da Industria Cultural. Malcom McLaren apenas tornou evidentes os mecanismos de produção de ídolos rebeldes. Depois dos Sex Pistols, a rebeldia sem causa não deveria ter nenhum futuro. O que restava era a desilusão, e a possibilidade de ti- rar proveito de uma sociedade que precisa de ilusão (incluindo ídolos rebeldes) para sobreviver.

O "no future" dos punks acabou se mostrando cheio de consequências e de diferentes futuros. A cena pop internacional passou a funcionar na base de estilhaços de novos "movimentos" (muitos deles, seguindo o exemplo da turma dos Sex Pistols, apenas produtos de releituras ou revivals de momentos anteriores da história do rock), todos com direito aos seus 15 minutos de fama e hits. No primeiro dia de 1985, data em que a Legião Urbana lançou seu primeiro disco, o punk já era uma lembrança remota, o "New Wave" já havia se tornado um passado comprometedor, Ian Curtis já tinha se suicidado há quase 5 anos e o "Hardcore" já se cansava da tentativa desesperada de levar a rebeldia do punk a sério. A música da Legião Urbana só podia refletir esse fragmentado estado criativo, onde não existe mais qualquer cartilha a ser seguida e onde toda nova banda está condenada a reinventar, seguindo o exemplo dos Sex Pistols, sua própria história do pop.

"Será", a primeira canção do primeiro disco da Legião Urbana começa com os seguintes versos: "Tire suas mãos de mim / Eu não pertenço a você". Parecia uma declaração de princípios punks, autoritária e arrogante, onde o grito de independência pressupõe o corte de todos os laços (afetivos, de qualquer tipo de pertencimento) com o mundo ao redor e com as pessoas que vivem nesse mundo. Mas "Será" não é, nem de longe, uma re-edi ção irônica de "Sub-Mission" dos Sex Pistols. "Será" é o início do diálogo (com um "você" ambíguo, em constante metamorfose, que re-aparecerá em inúmeras outras músicas da Legião Urbana) e a primeira tentativa de construção de um outro mundo regído por princípios éticos pós-punks, que levem em conta (e ao extremo) a ausência de futuro e a descrença radical sobre o que passou.

"Será" é antes de tudo uma canção romântica (não foi por acaso que também fez sucesso na voz de Simone e no rítmo melodramático do pagode-suingue), tão romântico quanto a escrita do mais desesperado poeta romântico alemão, que também vivia o fim de um mundo. O sentimento predominante em "Será", e nas demais faixas do primeiro disco da Legião Urbana, não é a revolta, mas sim o desamparo ("Quem é que vai nos proteger?") e a necessidade urgente de criação de uma nova comunidade, sem depender de ninguém, já que ninguém nos protege.

Essa proposta (assim mesmo desesperada e desamparada) utópica da Legião já foi interpretada/acusada de messianismo. Pode ser o caso, mas trata- se certamente de um messianismo paradoxal ou radical (mesmo em seus momentos mais cristãos), um messianismo que não transmite a "boa pala- vra", mas sim o eterno retorno do "no future" como a nova ética, uma ética sempre descrente de seus princípios, da possibilidade de melhorar o mundo, ou da existência de alguma solução para qualquer problema. Solução? Em "Teorema" a própria idéia de solução é colocada de forma suspensa: "Não sabemos se isso é problema / Ou se é a solução". Tudo é (repito: por princípio) motivo para dúvida: "Se eu soubesse lhe dizer qual é a sua tribo / Também saberia qual é a minha" (Petróleo do Futuro); "Vivemos num planeta perdido como nós / Quem sabe ainda estamos a salvo" (Perdido no Espaço); "Qual é a diferença?" (Baader-Meinhof Blues); "Quem é o inimigo?" (Soldados); "Eu não sei mais o que / Eu sinto por você" (Ainda é Cedo).

O estar perdido (em qualquer espaço, e não apenas no Brasil), à deriva, também se reflete numa errância por vários estilos musicais pós-punk. Legião Urbana 1 é quase um álbum colcha-de-retalhos onde convivem vários ecos da fragmentação pós-punk. "A Dança" lembra o funk-punk do Gang of Four, "Ainda É Cedo" tem a melancolia do "Joy Division" e do primeiro "U2". A Legião Urbana gravou até um reggae e um "punk-básico" (mesmo na letra) como "Geração Coca-Cola" (composição do tempo do "Aborto Elétrico", primeiro grupo "punk" de Brasília, primeiro grupo musical de Renato Russo). Não era possível perceber, a partir desse disco de estréia, quais seriam os próximos passos musicais da banda.

Muitos pontos de vista musicais convivem em cada faixa. Muitas vozes conflitantes cantam cada letra. A Legião Urbana inaugura nesse disco todos os procedimentos poéticos que serão desenvolvidos nos próximos lançamentos. Muitas vezes quem canta é um personagem, que pode citar outros personagens. Outras vezes são contadas histórias sem que se saiba quem está no comando da narrativa. Não existe uma visão de mundo privilegiada, não existe ideologia unida, não existe futuro para quem não acredita em futuro.

Mas nada disso fica totalmente claro. Até porque a última canção desse disco coloca tudo, mais uma vez, de forma suspensa, tudo provisório, tudo parece estar aqui apenas "Por Enquanto". Não é só pela predominância dos sintetizadores (e não das guitarras elétricas, como nas outras músicas) que "Por Enquanto" é, de certa forma, desconsertante. O disco termina com uma declaração no mínimo inesperada: "Estamos indo de volta pra casa". Algo aconteceu entre o "tire as suas mãos de mim" e o "estamos indo de volta pra casa". Então existe uma casa, um local de repouso, uma utopia tranquila? Que casa é essa, onde ela fica, quem está indo de volta? Esta casa é o "nosso" futuro? Respostas nos próximos discos? Haverá próximos discos se encontrarmos a casa?

"Dois", o segundo disco da Legião Urbana, lançado em julho de 1986, não traz respostas óbvias. E as perguntas são "complexificadas". O disco começa com uma colagem sonora onde se escuta, em meio a outros ruídos e outras músicas, o seguinte trecho de "Será": "Brigar pra quê / Se é sem querer". Mas parece que alguma coisa mudou, porque as perguntas (e talvez a ausência de respostas e de um local de repouso no final da errância) não incomodam tanto, porque foi descoberta uma maneira de se conviver — pacificamente — com a perplexidade: "Ainda estou confuso / Só que agora é diferente / Estou tão tranquilo / E tão contente" ("Quase Sem Querer"). Parece que foi encontrado um antídoto contra a maldade e o erro, quase como se a resposta procurada fosse a resignação: "Nada mais vai me ferir / É que eu já me acostumei / Com a estrada errada que segui / E com a minha própria lei" (Andrea Doria).

Mas a resignação não é tudo. Em "Dois" torna-se mais clara uma outra faceta inesperada, principalmente levando em consideração sua origem punk: uma "vontade" de religião e piedade. Em Baader-Meinhof Blues, no primeiro disco, já aparece um vestígio de sentimento cristão; critica-se uma sociedade para a qual "amar ao próximo é tão demodé". Mas em "Dois" o que estava submerso em metáforas e ironias vem à tona; sua primeira faixa, logo a mais "explicitamente" sexual, tem um título bíblico: Daniel na Cova dos Leões. Em "Fábrica", logo a mais punk (coloca-se de lado a indignação de "Metrópole") e a Legião canta: "Nosso dia vai chegar" e "Quero justiça".

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Discografia  escrito em segunda 21 abril 2008 13:23

Discografia


Legião Urbana
Será
A Dança
Petróleo do Futuro
Ainda É Cedo
Perdidos no Espaço
Geração Coca-Cola
O Reggae
Baader-Meinhof Blues
Soldados
Teorema
Por Enquanto
Período de Gravação:
Outubro a Dezembro de 1984

Data de lançamento:
1 de Janeiro de 1985

Vendagem:
710 mil cópias

Dois
Daniel na Cova dos Leões
Quase Sem Querer
Acrilic On Canvas
Eduardo e Monica
Central do Brasil
Tempo Perdido
Metrópole
Plantas Debaixo Do Aquário
Música Urbana 2
Andrea Doria
Fábrica
"Índios"
Período de Gravação:
Janeiro a Março de 1986

Data de lançamento:
Julho de 1986

Vendagem:
1,420 milhão de cópias

Que País É Este
Que País É Este
Conexão Amazônica
Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)
Depois do Começo
Química
Eu Sei
Faroeste Caboclo
Angra dos Reis
Mais do Mesmo
Período de Gravação:
Outubro a Dezembro de 1987

Data de lançamento:
Novembro de 1987

Vendagem:
1 milhão de cópias.

As Quatro Estações
Há Tempos
Pais e Filhos
Feedback Song For A Dying Friend
Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto
Eu Era Um Lobisomem Juvenil
1965 (Duas Tribos)
Monte Castelo
Maurício
Meninos e Meninas
Sete Cidades
Se Fiquei Esperando O Meu Amor Passar
Período de Gravação:
Agosto a Outubro de 1989

Data de lançamento:
26 de outubro de 1989

Vendagem:
1,6 milhão de cópias.

V
Love Song
Metal Contra As Nuvens
A Ordem dos Templários
A Montanha Mágica
O Teatro dos Vampiros
Sereníssima
Vento no Litoral
O Mundo Anda Tão Complicado
L'Âge D'Or
Come Share My Life
Período de Gravação:
Outubro a Dezembro de 1991

Data de lançamento:
15 de dezembro de 1991

Vendagem:
700 mil cópias.

Música P/ Acampamentos
Disco 1:
Fábrica
Daniel na Cova dos Leões
A Canção do Senhor da Guerra
O Teatro dos Vampiros
Ainda É Cedo
Gimme Shelter
Baader-Meinhof Blues
A Montanha Mágica
Eu Sei
"Índios"

Disco 2:
A Dança
Mais do Mesmo
Soldados
Música Urbana 2
On The Way Home
Maurício
Há Tempos
Pais e Filhos
Faroeste Caboclo
Exit Music: Rhapsody in Blue
Período de Gravação:
(coletânea de gravações ao vivo, show, rádios e MTV)

Data de lançamento:
1992

Vendagem:
500 mil cópias

O Descobrimento do Brasil
Vinte e Nove
A Fonte
Do Espírito
Perfeição
O Passeio da Boa Vista
O Descobrimento do Brasil
Os Barcos
Vamos Fazer Um Filme
Os Anjos
Um Dia Perfeito
Giz
Love In The Afternoon
La Nuova Gioventú
Só Por Hoje
Período de Gravação:
Setembro a Novembro de 1993

Data de lançamento:
Novembro de 1993

Vendagem:
700 mil cópias

A Tempestade ou O Livro dos Dias
Natália
L'Avventura
Música de Trabalho
Longe Do Meu Lado
A Via Láctea
Música Ambiente
Aloha
Soul Parsifal
Dezesseis
Mil Pedaços
Leila
8º de Julho
Esperando por Mim
Quando Você Voltar
O Livro Dos Dias
Período de Gravação:
Janeiro a Junho de 1986

Data de lançamento:
20 de Setembro de 1996

Vendagem:
820 mil cópias

Uma Outra Estação
Riding Song
Uma Outra Estação
As Flores do Mal
La Maison Dieu
Clarisse
Schubert Lândler
A Tempestade
High Noon (Do Not Forsake Me)
Comédia Romântica
Dado Viciado
Marcianos Invadem A Terra
Antes das Seis
Mariane
Sagrado Coração
Travessia do Eixão
Período de Gravação:
Janeiro a Junho de 1996

Data de lançamento:
18 de Julho de 1997

Vendagem:
610 mil cópias

Mais do Mesmo
Será
Ainda É Cedo
Geração Coca-Cola
Eduardo e Monica
Tempo Perdido
"Índios"
Que País É Este
Faroeste Caboclo
Há Tempos
Pais e Filhos
Meninos e Meninas
Vento no Litoral
Perfeição
Giz
Dezesseis
Antes das Seis
Coletânea dos maiores sucessos da Legião Urbana
Data de lançamento:
Março de 1998

Vendagem:
646 mil cópias

Acústico MTV
Baader-Meinhof Blues
"Índios"
Mais do Mesmo
Pais e Filhos
Hoje A Noite Não Tem Luar
Sereníssima
O Teatro dos Vampiros
On The Way Home
Head On
The Last Time I Saw Richard
Metal Contra As Nuvens
Há Tempos
Eu Sei
Faroeste Caboclo
Período de Gravação:
28 de Janeiro de 1992

Data de lançamento:
27 de Outubro de 1999

Vendagem:
1 milhão de cópias

Stonewall Celebration Concert
Send In The Clowns
Clothes Of Sand
Cathedral Song
Love Is
Cherish
Miss Celie's Blues
Ballad Of The Sad Young Men
If I Loved You
And So It Goes
I Get Along Without You Very Well
Somewhere In My Broken Heart
If You See Him, Say Hello
If Tomorrow Never Comes
Heart Of The Matter
Old Friend
Say It Isn't So
Let's Face The Music & Dance
Somewhere
Paper Of Pins
When You Wish Upon A Star
Close The Door Lightly When You Go
Período de Gravação:
?

Data de lançamento:
18 de Setembro de 1998

Vendagem:
?

Equilíbrio Distante
Período de Gravação:
?

Data de lançamento:
?

Vendagem:
?

O Último Solo
Período de Gravação:
?

Data de lançamento:
?

Vendagem:
?

O Barco Além Do Sol
todas as composições, arranjos, programações, teclados, vocais e bateria por marcelo bonfá
letras de marcelo bonfá e gian fabra
exceto ‘ouro em pó’ de fernanda takai e john;
‘de um jeito ou de outro’ de fernanda takai;
‘aurora no subúrbio’ de fausto fawcett;

fred nascimento guitarra/violão
exceto ‘de um jeito ou de outro’ fred nascimento e ricardo palmeira

gian fabra baixo

Serie Bis
Período de Gravação:
?

Data de lançamento:
13 Junio de 2000

Vendagem:
?
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FOTOS  escrito em segunda 21 abril 2008 13:24













 

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LEGIÃO COVER  escrito em segunda 21 abril 2008 13:39


Renato Alves da Silva – Voz e violões  

Renato Quase Russo é formado em odontologia pela Universidade Federal de Uberlândia (essa você não sabia, né?) e é professor na rede Anglo do Triângulo em Uberlândia. Suas influências musicais estão principalmente no rock nacional. Dono de uma voz potente, Renato faz do show, palco de seguidas surpresas. Seu carisma e a interação que tem junto ao público o torna a referência dentro do cenário musical.

O início

A primeira apresentação ao vivo foi feita na cidade de Araguari no saudoso bar que se chamava “Vou Vivendo”. Nossa equipe está à busca de fotos que registraram esse evento. Aguarde.

O apelido

O apelido surgiu em duas situações: no ano de 1994 em Araguari, seu professor de História do colégio Objetivo de Araguari, William (um abraço!) foi o primeiro a usar a expressão “quase russo”. Um ano e meio depois, O ex-diretor administrativo do colégio Anglo, Márcio Brasileiro de Freitas (conhecido como “Uberaba”) veio batizar de vez o nome. Agradecimento

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